10. A manhã da Ressurreição

10. A manhã da Ressurreição

“Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos”
Mt 28,19
Como ler este material
  • Este texto faz parte da série Mística da Pastoral da Criança.
  • Leia com calma. O conteúdo é extenso e foi preparado para ser lido aos poucos.
  • Se quiser, partilhe esta reflexão com outros líderes.
  • Ao final, reserve um tempo para refletir sobre a sua missão.
Uma palavra inicial

A Ressurreição de Jesus renova nossa esperança e nos envia a anunciar a Boa Nova com palavras e gestos de cuidado. Na Pastoral da Criança, essa missão se torna concreta nas visitas, na escuta e no acompanhamento das gestantes, das crianças e das famílias. Ao recordar as primeiras líderes de Florestópolis, somos convidados a reconhecer os sinais de vida nova em nossas comunidades e a renovar o compromisso de servir, celebrar e caminhar juntos, confiantes na presença do Ressuscitado.

10. A manhã da Ressurreição

A missão que Deus Pai deu a todos os batizados consiste em ser discípulos e anunciar a Boa Nova. Durante sua vida pública, Jesus escolheu discípulos, pessoas de bem, dispostas a segui-lo e a assumir uma nova prática de vida. A disponibilidade de homens e mulheres que seguiram Jesus e deram suas vidas pela causa do Evangelho transformou a vida de muitas pessoas. A precariedade das condições de vida, marcada pela falta de alimento, de respeito à dignidade humana, de saúde e de segurança, revela o distanciamento do anúncio da Boa Nova. O Evangelho continua sendo desconhecido na vida de muitas pessoas.

A Igreja, sinal visível da presença e da missão de Jesus nos dias atuais, tem a obrigação de abrir os olhos das pessoas e sensibilizá-las diante de tantos que sofrem, assim como Jesus era sensível aos desprezados, machucados, doentes e excluídos.

A missão da Pastoral da Criança, na atuação dos líderes e das líderes, tem em sua essência o mesmo cuidado de Jesus: olhar para os pequenos e acolhê-los com gestos de caridade, de fé e de esperança.

Foi assim em 1983. No início da caminhada da Pastoral da Criança, as primeiras líderes foram capacitadas pela Dra. Zilda Arns, que acreditou no potencial de mulheres simples, capazes de colocar seus talentos em prática em comunidades que sofriam com a mortalidade infantil. Essas mulheres não somente receberam conhecimentos, mas aprofundaram uma missão: salvar vidas.

Registro histórico da Pastoral da Criança em Florestópolis, no Paraná, na década de 1980
Pastoral da Criança em Florestópolis (PR), onde iniciou suas atividades, na década de 1980. “Recordar essas primeiras líderes é voltar às raízes da Pastoral da Criança.”

Como foi bonito ver, numa cidade como Florestópolis, no Paraná, essas primeiras missionárias, mulheres simples, desenvolverem a capacidade de visitar, escutar, orientar e acompanhar suas vizinhas, acreditando na força da vida. Elas levaram informações sobre saúde, educação, nutrição e cidadania, numa espiritualidade que se perpetua até nossos dias.

Líderes, houve ressurreição no cotidiano daquelas famílias, à luz do que refletimos sobre a manhã da Ressurreição de Jesus.

Recordar essas primeiras líderes é voltar às raízes da Pastoral da Criança. É lembrar que uma grande história começou com pequenos passos, com pessoas que acreditaram que era possível mudar a realidade de uma criança, de uma família e de uma comunidade.

Pastoral da Criança em Florestópolis, no Paraná, na década de 1980
Pastoral da Criança em Florestópolis (PR), na década de 1980. “É lembrar que uma grande história começou com pequenos passos, com pessoas que acreditaram que era possível mudar a realidade de uma criança, de uma família e de uma comunidade.”

No dia da Ressurreição, Jesus, ao se aproximar dos discípulos, saúda-os com a paz. Sua primeira palavra a eles é o anúncio da paz e, em seguida, vem a missão: “Os discípulos, então, se alegraram por verem o Senhor. Jesus disse, de novo: ‘A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, eu também vos envio’” (Jo 20,20-21).

A manhã da Ressurreição se torna um marco na história de muitas pessoas perdidas na vida. Ao verem o Senhor ressuscitado, uma nova emoção toma conta de seus corações. A inquietação aumenta, e a busca por clareza alimenta a vida dessas pessoas.

Quantas manhãs de ressurreição podemos observar na ação missionária nos dias de hoje!

Nossa liderança vai de casa em casa, levando consigo histórias, dores, esperanças e sonhos. Transforma conhecimento em serviço e fé em compromisso, numa presença constante, renovando a escuta à luz do Evangelho da vida.

Líderes da Pastoral da Criança nas ruas de uma comunidade
“Nossa liderança vai de casa em casa, levando consigo histórias, dores, esperanças e sonhos.”

Essa liderança assume a missão, compreendendo Jesus em sua essência: palavras e atos que não deixam espaço para a omissão. Ela faz como os discípulos de Jesus que, ao entenderem as palavras tantas vezes pronunciadas durante sua vida pública, assumiram a missão que não era deles, mas do Pai. A grande alegria de anunciar que Jesus ressuscitou se tornou o marco decisivo para que eles também mudassem de vida e se apaixonassem por anunciar essa alegria e fazer tantas outras pessoas felizes.

O envio missionário é a marca dos discípulos que partiram sem medo e sem temor. A promessa de Jesus ressuscitado, “eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20), sustenta a missão da Pastoral da Criança nos dias atuais.

Naquele tempo inicial da Pastoral da Criança, as líderes tiveram um exemplo da presença de Jesus a acompanhá-las na missão. A Dra. Zilda foi esse exemplo: mensalmente, voltava para avaliar o trabalho, ouvindo os relatos da prática do dia a dia e motivando-as a superar os obstáculos. Essa foi a maior herança deixada pela Dra. Zilda: ensinar que, quando uma pessoa se coloca a serviço da vida, uma pequena semente pode crescer e dar frutos.

Nós acreditamos que Jesus está no meio de nós. Ele continua a nos chamar para anunciar a vida plena às gestantes e às famílias com filhos na primeira infância, com atenção especial aos primeiros mil dias. Atender ao envio de Jesus, anunciando que Deus nos ama e revelando esse amor, é dar continuidade ao anúncio da Ressurreição e orientar para que a vida, dom de Deus, não seja machucada, desprezada, abandonada ou mal cuidada.

Quando os cristãos abrirem os olhos para a realidade, perceberão que há gerações ameaçadas por tantos abusos, descuidos e pela desumanização. Sabemos que Jesus tem a solução. O Mestre de Nazaré tem a solução para garantir uma vida saudável a todas as gerações e em todas as etapas da vida humana.

A mística que recebemos neste texto é um convite para continuarmos assumindo, como líderes, o anúncio da Boa Nova do Ressuscitado, para que todas as pessoas envolvidas na Pastoral da Criança sejam beneficiadas e possam sonhar com uma vida melhor, mais justa e fraterna. Com Jesus, nada nos falta: a fome é saciada, a sede é superada, a dor é curada, os conflitos são acalmados e a cultura da vida se sobrepõe à cultura da morte.

Eis a bela missão da Pastoral da Criança! Como na manhã da Páscoa, somos chamados a estar atentos para ver Jesus e acreditar que Ele está vivo no meio de nós. Impulsionados por seu mandato de anunciar a Ressurreição, atraímos para junto de nós e para junto de Deus todas as gestantes e todas as crianças, sobretudo na primeira infância.

Somos chamados a trazer novas líderes e a convidar adolescentes e jovens em fase de catequese, ou que já receberam os sacramentos da iniciação à vida cristã, para formar comunidades de fé e vida. Também somos chamados a orientar gestantes e mães com filhos pequenos para uma vivência de fé, de acolhimento e de cuidado, acompanhando o crescimento de seus filhos na fé.

Esta é a missão para os dias de hoje, assim como foi no dia da Ressurreição, quando Jesus apareceu aos discípulos amedrontados, desorientados e inseguros. A mensagem do Ressuscitado se repete. Ele exorta: “Ensinai-os a observar tudo o que vos mandei. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20). Eis o apelo para a mística da Pastoral da Criança.

Líderes, como é bonito ver, nas comunidades, que muitos e muitas de vocês foram acompanhados ainda no ventre de suas mães! Muitas de vocês também foram mães acompanhadas!

Numa Pastoral com mais de 40 anos, já podemos ver seus frutos em abundância. Hoje, encontramos o Cristo ressuscitado em nossas vidas e já aprendemos a ajudar outras pessoas a encontrá-lo em cada ambiente de missão, principalmente nas comunidades e no seio dos lares.

Queremos vida nova! Ressuscitados em Cristo e renovados para uma vida de fé e de esperança, queremos deixar o novo acontecer e viver a liberdade de filhos amados de Deus. É preciso se dispor, estar atento e pronto, com coragem e decisão.

Sabemos que, hoje, a Celebração da Vida tem sido um desafio, pois muitas mães não se interessam em participar da mística, esse momento celebrativo essencial para uma vida em Deus, ligada ao serviço, à disposição e à vontade de reconhecer a presença de Deus na vida das pessoas.

A Celebração da Vida é a celebração do Ressuscitado no meio de nós, que nos convida e insiste para que sejamos irmãos e irmãs, comprometidos com a verdade do Evangelho, que nos estimula a uma vida de boas práticas. Missão, oração e ação caminham juntas e nunca se separam na construção de uma vida madura, sólida, fecunda no amor e na riqueza de pertencer a uma comunidade que acolhe o Cristo ressuscitado, assim como os discípulos o acolheram.

Líderes e famílias reunidos na Celebração da Vida
“Para as comunidades de nossos dias, uma visita, uma celebração e uma reunião também se tornam momentos de oração.”

O testemunho da primeira comunidade é maravilhoso: “Eles eram perseverantes no ensinamento dos apóstolos. […] Apossava-se de todos o temor, e pelos apóstolos realizavam-se numerosos prodígios e sinais” (cf. At 2,42-47). Ouvimos, com frequência, pessoas contarem os prodígios que a Pastoral da Criança realizou ao longo de sua história. Quantas famílias relatam que foram beneficiadas pela Pastoral! Não podemos esquecer que, hoje, são necessários envolvimento e mobilização para que o bem continue a transformar vidas e mais vidas.

Observemos que tudo isso continua acontecendo desde as primeiras comunidades cristãs, que repartiam seus dons com alegria.

Observemos que a primeira comunidade de Florestópolis continua viva com seu exemplo e nos motiva a continuar sempre em estado de alerta e em oração.

Para as comunidades de nossos dias, uma visita, uma celebração e uma reunião também se tornam momentos de oração.

Não podemos desanimar. Os desafios são grandes. A acomodação de muitos não apaga a garra e a coragem de tantas pessoas que se dedicam a visitar, escutar, encaminhar, abraçar e devolver a esperança à vida de tantas mães angustiadas.

A mística nos coloca em alerta para percebermos o modo de agir de Jesus e seguirmos, com fé e gratuidade, seu exemplo no anúncio do Reino de Deus. Hoje, devemos perceber os sinais do Reino entre nós por meio da vida que enaltecemos, cuidamos, protegemos e construímos juntos.

Líderes da Pastoral da Criança em atuação nas comunidades
“Hoje, devemos perceber os sinais do Reino entre nós por meio da vida que enaltecemos, cuidamos, protegemos e construímos juntos.”

A dimensão missionária, ação concreta de crer e agir em nome de Cristo, fortalece nosso entusiasmo para visitar as gestantes e acolher as mães e as crianças na primeira infância, para que cresçam com equilíbrio e amadureçam para todas as etapas de suas vidas. Alimentada pela fé e pela esperança, a vida se torna dinâmica, fecunda e feliz.

Que todas as pessoas envolvidas na Pastoral da Criança sintam a fé renovada e o compromisso com a defesa da vida autêntica, superando as barreiras da acomodação e das facilidades. Juntos, busquemos, por meio da Pastoral, o jeito simples e humilde de Jesus, que transformou a vida de tantas pessoas.

Sejamos continuadores e anunciadores da mensagem de Jesus, como na manhã da Ressurreição, e façamos nossa parte para que a presença de Cristo seja acolhida no meio de nós.

Para o dia a dia da missão

Convidamos você a refletir sobre sua caminhada como líder da Pastoral da Criança. Se possível, partilhe estas perguntas com outros líderes, deixando que a Palavra de Deus ilumine as visitas e as ações na comunidade.

Pontos para reflexão

1. Que sinais de vida nova tenho percebido nas famílias que acompanho?
Recorde uma situação em que a visita, a escuta ou uma orientação ajudou a renovar a esperança de uma gestante, de uma mãe ou de uma família. Como essa experiência fortalece sua fé e seu compromisso com a missão?

2. Como posso ajudar a Celebração da Vida a ser um momento de acolhimento, oração e participação?
Pense nas famílias que ainda não participam e nas dificuldades que podem estar enfrentando. Que gesto concreto pode aproximá-las da comunidade e ajudá-las a reconhecer a presença de Deus no cuidado de cada dia?

3. O que o exemplo das primeiras líderes e da Dra. Zilda inspira em minha missão hoje?
Reflita sobre a coragem de servir, aprender e perseverar diante dos desafios. Como posso renovar minha disposição e convidar outras pessoas a participar dessa missão, confiando na promessa de Jesus de estar conosco todos os dias?