9. Eis a tua mãe

9. Eis a tua mãe

“Eis a tua mãe!”
Jo 19,27
Como ler este material
  • Este texto faz parte da série Mística da Pastoral da Criança.
  • Leia com calma. O conteúdo é extenso e foi preparado para ser lido aos poucos.
  • Se quiser, partilhe esta reflexão com outros líderes.
  • Ao final, reserve um tempo para refletir sobre a sua missão.
Uma palavra inicial

Ao entregar Maria ao discípulo amado, Jesus nos convida ao acolhimento, ao cuidado e à proteção da vida. Essa atitude inspira a missão dos líderes da Pastoral da Criança junto às gestantes, às crianças e às famílias. Neste mês de outubro, somos chamados a renovar esse compromisso, desde o ventre materno, fortalecendo os laços da comunidade e encontrando em Nossa Senhora Aparecida o exemplo da presença materna que acolhe e protege.

9. Eis a tua mãe

No mês de outubro, a natureza se renova com novos brotos e flores, que anunciam os frutos de cada espécie. A vida se renova. No embalo da vida que nasce e se renova, iniciamos outubro com amplas oportunidades para valorizar a vida que ainda está no útero materno, especialmente na Semana da Vida.

A origem da reflexão e de todo o movimento da Pastoral da Criança está no cuidado com as gestantes. A mulher gestante carrega uma nova vida. É o princípio da vida. No escondido do ventre materno, um novo ser é tecido, cuidado, alimentado e formado pela docilidade da mulher que acolhe em seu útero uma nova vida, uma pessoa humana feita à imagem e semelhança de Deus.

Como é bonito acompanhar uma criança em seu desenvolvimento desde o ventre materno! Assim, vamos fortalecendo a certeza de que o bem realizado produzirá frutos para o resto da vida, como lembramos ao trabalhar os “Primeiros Mil Dias de Vida”.

Aqui, vale a pena revisitar esse conteúdo. Esse cuidado, você, líder, realiza muito bem em suas comunidades.

Assim, estaremos cuidando da raiz do amor — a gestação —, como tanto nos lembrou a Dra. Zilda Arns. Ela sempre nos dizia: “A gestação é a raiz do amor.”

A natureza toda se encanta e participa da formação de um novo ser. É Deus que possibilita o desenvolvimento da vida e confia ao ser humano a presteza da ação cuidadora, para que o ambiente seja saudável e a vida encontre espaço adequado ao seu desenvolvimento integral.

No anúncio da Boa-Nova, Jesus Cristo dedicou sua vida pública a orientar discípulos e multidões para uma vida digna, marcada pelo amor e pelo cuidado. Andando de aldeia em aldeia, de comunidade em comunidade, por cidades e regiões, sem preconceito e discriminação, anunciou a arte do cuidado e da defesa da vida, prometendo uma vida feliz para todo o sempre.

Como é bonito ver líderes missionários e missionárias saindo de suas casas para outros lares, nas mais diversas comunidades, atualizando o mistério do encontro! Tudo isso é realizado de maneira simples, com o objetivo principal de defender a vida.

Visita domiciliar da Pastoral da Criança a uma gestante
“Tudo isso é realizado de maneira simples, com o objetivo principal de defender a vida.”

Jesus preparou discípulos para serem missionários do Pai. A grande missão é anunciar o Reino de Deus para toda a humanidade. O mundo, formado pela beleza de toda a obra criada, é a expressão mais linda do amor revelado pelo seu Filho, ao anunciar que na casa do Pai há muitas moradas (cf. Jo 14,1-3). Portanto, estamos a caminho da casa do Pai.

Consciente da fragilidade das novas criaturas que vêm ao mundo, a Igreja, como mãe, se preocupa e oferece auxílio para que nenhuma criatura humana, feita à imagem de Deus (cf. Gn 1,26-27), seja desprezada ou malcuidada. Mesmo que a vida seja desprezada, machucada, torturada e levada ao calvário da Cruz, Deus instiga o ser humano a ser cuidador e protetor da vida.

A Pastoral da Criança tem essa missão que vem da parte de Deus, pois a vida pertence a Deus e nós somos responsáveis por cuidar das coisas de Deus. Como Jesus preparou discípulos, nós preparamos líderes da Pastoral da Criança para exercer a missão de Deus: cuidar e proteger a vida desde o útero materno. Assumir a missão como líder do cuidado e visitar as gestantes é participar do movimento do amor divino, que envolve o cuidado de mulheres e famílias fragilizadas que necessitam de amparo, atenção e proteção.

Você, líder, se faz mãe cuidadora da vida antes de nascer e, depois, intensifica o cuidado na primeira infância. Na Sagrada Escritura, vemos esse cuidado desde o Antigo Testamento: Deus acompanhou seu povo, tirando-o da escravidão do Egito (cf. Ex 1–15), e os profetas estimularam a libertação do cativeiro babilônico (cf. Isaías, Jeremias e outros profetas). Jesus veio salvar e libertar o ser humano da escravidão do pecado. Ele nos deu sua mãe (cf. Jo 19,25-27), que nos protege e nos estimula a viver a mensagem de seu Filho.

A Pastoral da Criança tem em sua essência o seguimento de Jesus Cristo, que nos convoca para uma vida ampla, aberta, livre e tomada de ternura e de amor. Onde falta amor, falta dignidade à vida de uma criança, de uma mãe, de uma gestante. Somos responsáveis por cuidar para que nada falte ao próximo.

Acompanhamento de uma gestante durante visita domiciliar da Pastoral da Criança
“Somos responsáveis por cuidar para que nada falte ao próximo.”

Outubro é um mês encantador. Nele, lembramos a natureza criada por Deus, a ecologia, que manifesta as maravilhas que somente Deus, que é amor, é capaz de fazer existir. É o mês da vida, da ecologia que São Francisco de Assis tanto prezava por ser manifestação da criatividade divina. Assumimos, neste mês missionário, a tarefa de intensificar a visita às famílias, animar a Celebração da Vida e aprofundar a arte do anúncio do amor de Deus, que nos envia a anunciar o Reino da paz e da justiça para que toda vida seja protegida, amada e bem cuidada.

Querido líder, querida líder! Somos imagem e semelhança da Trindade Santa. Deus Pai cria. Deus Filho transforma. Deus Espírito Santo ilumina. Somos parecidos com o Pai porque criamos; parecidos com o Filho porque transformamos; parecidos com o Espírito Santo porque iluminamos. É justamente você, líder, que chega aos lares, entra e se mostra como imagem da Trindade, fortalecendo laços.

No alto da Cruz, quando a vida parecia dominada pelo escárnio, pelo desprezo perverso dos malvados e pela morte, Deus nos dá, na figura de uma mulher, uma mãe que cuida e protege os filhos deste mundo e nos conduz ao Filho, que nos leva ao Pai. O Pai tem o Reino dos céus para todos nós.

“Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo a quem amava, disse à mãe: ‘Mulher, eis o teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe!’ A partir daquela hora, o discípulo a acolheu em sua casa” (Jo 19,25-27). A mãe é acolhida pelo discípulo. A mãe acolhe os que aderem à mensagem do seu Filho. A figura da mulher-mãe expressa a missão dada por Deus de cuidar da vida e de todas as vidas, em todas as suas situações.

O líder e a líder da Pastoral da Criança têm a sensibilidade de Jesus, que vê sua mãe prestes a ser abandonada, esquecida, desprezada, e a entrega ao discípulo amado. Este a leva para sua casa. O olhar de compaixão aproxima, acolhe, cuida e estende a mão para encaminhar e proteger a vida. Quantas vezes gritamos, num susto: “Ave Maria!” ou “Nossa Senhora!” São gritos de filhos em apuros que encontram na mãe amorosa e poderosa a proteção invocada com confiança, esperança e fé.

A Celebração da Vida é mais uma ocasião para os líderes estimularem a comunhão fraterna junto às famílias e seus pequeninos, alimentando a beleza de se sentirem irmãs e irmãos uns dos outros. Como ensina Jesus, aqueles que fazem a vontade de seu Pai são sua mãe, sua irmã e seu irmão (cf. Mt 12,46-50).

Que neste mês missionário, mês do cuidado da criação, tenhamos a sensibilidade de Jesus e não deixemos nenhuma gestante, nenhuma mãe abandonada, sem casa, sem proteção, sem família, sem abrigo. A mulher forte, vigorosa no amor e na arte do cuidado, ajuda seus filhos a crescerem equilibrados, fortes, cheios de vitalidade e bem integrados à família e à sociedade. A Igreja, como mãe, se preocupa para que nenhuma criança venha ao mundo sem os devidos cuidados e sem ser envolvida pelo amor.

Bebê sorrindo com sua mãe
“Como é bonito acompanhar uma criança em seu desenvolvimento desde o ventre materno!”

Eis a nobre missão que a Pastoral da Criança assumiu desde sua origem: cuidar para que nenhuma vida seja abandonada ou destruída pela falta de acolhimento e de amor generoso. Que cada líder leve para casa a sensação prazerosa de ter acolhido e cuidado de uma gestante e de uma criança, acompanhando-a pelo menos até seus seis aninhos de vida. Eis a tua mãe, eis a beleza da Pastoral da Criança. Viva o Dia das Crianças, sobretudo as mais frágeis, as menos cuidadas e as que passam fome.

Na ternura do cuidado e da proteção de uma criança, a criação toda se renova e a face da terra se encanta com o amor e a vivacidade da boa evangelização realizada pela Pastoral da Criança, que continua viva, atuante e necessária no mundo atual.

Nossa Senhora Aparecida, despertai novas lideranças e fortalecei a dinâmica da Pastoral da Criança com a materna proteção da Mãe de Jesus, pois eis aqui a Mãe de Jesus e nossa Mãezinha do Céu.

Nossa Senhora Aparecida, mãe encontrada na lama do rio Paraíba, acende milagrosamente velas e ilumina as famílias do Brasil.

Mãe Aparecida, abençoai os líderes e as líderes da Pastoral da Criança em todo o Brasil e despertai novas líderes e novos líderes para a missão do cuidado e da proteção, assim como o Filho de Deus, pouco antes de morrer no alto da Cruz, nos deu sua mãe para cuidar de nós. Mãe morena de Aparecida, protegei as gestantes, as famílias e as crianças de todo o Brasil.

Para o dia a dia da missão

Convidamos você a refletir sobre estas perguntas a partir da sua vivência como líder. Se possível, partilhe com outros líderes e veja como esses pontos podem iluminar suas visitas, a Celebração da Vida, o acompanhamento das famílias e a presença da Pastoral da Criança na comunidade.

Pontos para reflexão

1. Como tenho acolhido as gestantes e as mães que precisam de apoio?
O olhar de compaixão nos aproxima de quem está fragilizado. Pense em como suas visitas podem oferecer escuta, amparo e proteção, para que nenhuma gestante ou mãe se sinta abandonada.

2. O que posso fazer para fortalecer o cuidado com as crianças desde o ventre materno?
A gestação é a raiz do amor. Reflita sobre o acompanhamento das famílias, as orientações dos primeiros mil dias de vida e a Celebração da Vida como oportunidades de proteger e valorizar cada criança.

3. Como o exemplo de Maria inspira minha missão na Pastoral da Criança?
Maria acolhe e protege, e o discípulo amado a recebe em sua casa. Pense em como essa presença materna pode inspirar seus gestos de ternura, fortalecer os laços da comunidade e tornar visível o amor de Deus.

Líderes da Pastoral da Criança reunidas em uma casa com uma mãe e uma criança pequena, todos sorrindo
“Eis a tua mãe, eis a beleza da Pastoral da Criança.”