Ao entregar Maria ao discípulo amado, Jesus nos convida ao acolhimento, ao cuidado e à proteção da vida. Essa atitude inspira a missão dos líderes da Pastoral da Criança junto às gestantes, às crianças e às famílias. Neste mês de outubro, somos chamados a renovar esse compromisso, desde o ventre materno, fortalecendo os laços da comunidade e encontrando em Nossa Senhora Aparecida o exemplo da presença materna que acolhe e protege.
9. Eis a tua mãe
No mês de outubro, a natureza se renova com novos brotos e flores, que anunciam os frutos de cada espécie. A vida se renova. No embalo da vida que nasce e se renova, iniciamos outubro com amplas oportunidades para valorizar a vida que ainda está no útero materno, especialmente na Semana da Vida.
A origem da reflexão e de todo o movimento da Pastoral da Criança está no cuidado com as gestantes. A mulher gestante carrega uma nova vida. É o princípio da vida. No escondido do ventre materno, um novo ser é tecido, cuidado, alimentado e formado pela docilidade da mulher que acolhe em seu útero uma nova vida, uma pessoa humana feita à imagem e semelhança de Deus.
Como é bonito acompanhar uma criança em seu desenvolvimento desde o ventre materno! Assim, vamos fortalecendo a certeza de que o bem realizado produzirá frutos para o resto da vida, como lembramos ao trabalhar os “Primeiros Mil Dias de Vida”.
Aqui, vale a pena revisitar esse conteúdo. Esse cuidado, você, líder, realiza muito bem em suas comunidades.
Assim, estaremos cuidando da raiz do amor — a gestação —, como tanto nos lembrou a Dra. Zilda Arns. Ela sempre nos dizia: “A gestação é a raiz do amor.”
A natureza toda se encanta e participa da formação de um novo ser. É Deus que possibilita o desenvolvimento da vida e confia ao ser humano a presteza da ação cuidadora, para que o ambiente seja saudável e a vida encontre espaço adequado ao seu desenvolvimento integral.
No anúncio da Boa-Nova, Jesus Cristo dedicou sua vida pública a orientar discípulos e multidões para uma vida digna, marcada pelo amor e pelo cuidado. Andando de aldeia em aldeia, de comunidade em comunidade, por cidades e regiões, sem preconceito e discriminação, anunciou a arte do cuidado e da defesa da vida, prometendo uma vida feliz para todo o sempre.
Como é bonito ver líderes missionários e missionárias saindo de suas casas para outros lares, nas mais diversas comunidades, atualizando o mistério do encontro! Tudo isso é realizado de maneira simples, com o objetivo principal de defender a vida.
Jesus preparou discípulos para serem missionários do Pai. A grande missão é anunciar o Reino de Deus para toda a humanidade. O mundo, formado pela beleza de toda a obra criada, é a expressão mais linda do amor revelado pelo seu Filho, ao anunciar que na casa do Pai há muitas moradas (cf. Jo 14,1-3). Portanto, estamos a caminho da casa do Pai.
Consciente da fragilidade das novas criaturas que vêm ao mundo, a Igreja, como mãe, se preocupa e oferece auxílio para que nenhuma criatura humana, feita à imagem de Deus (cf. Gn 1,26-27), seja desprezada ou malcuidada. Mesmo que a vida seja desprezada, machucada, torturada e levada ao calvário da Cruz, Deus instiga o ser humano a ser cuidador e protetor da vida.
A Pastoral da Criança tem essa missão que vem da parte de Deus, pois a vida pertence a Deus e nós somos responsáveis por cuidar das coisas de Deus. Como Jesus preparou discípulos, nós preparamos líderes da Pastoral da Criança para exercer a missão de Deus: cuidar e proteger a vida desde o útero materno. Assumir a missão como líder do cuidado e visitar as gestantes é participar do movimento do amor divino, que envolve o cuidado de mulheres e famílias fragilizadas que necessitam de amparo, atenção e proteção.
Você, líder, se faz mãe cuidadora da vida antes de nascer e, depois, intensifica o cuidado na primeira infância. Na Sagrada Escritura, vemos esse cuidado desde o Antigo Testamento: Deus acompanhou seu povo, tirando-o da escravidão do Egito (cf. Ex 1–15), e os profetas estimularam a libertação do cativeiro babilônico (cf. Isaías, Jeremias e outros profetas). Jesus veio salvar e libertar o ser humano da escravidão do pecado. Ele nos deu sua mãe (cf. Jo 19,25-27), que nos protege e nos estimula a viver a mensagem de seu Filho.
A Pastoral da Criança tem em sua essência o seguimento de Jesus Cristo, que nos convoca para uma vida ampla, aberta, livre e tomada de ternura e de amor. Onde falta amor, falta dignidade à vida de uma criança, de uma mãe, de uma gestante. Somos responsáveis por cuidar para que nada falte ao próximo.
Outubro é um mês encantador. Nele, lembramos a natureza criada por Deus, a ecologia, que manifesta as maravilhas que somente Deus, que é amor, é capaz de fazer existir. É o mês da vida, da ecologia que São Francisco de Assis tanto prezava por ser manifestação da criatividade divina. Assumimos, neste mês missionário, a tarefa de intensificar a visita às famílias, animar a Celebração da Vida e aprofundar a arte do anúncio do amor de Deus, que nos envia a anunciar o Reino da paz e da justiça para que toda vida seja protegida, amada e bem cuidada.
Querido líder, querida líder! Somos imagem e semelhança da Trindade Santa. Deus Pai cria. Deus Filho transforma. Deus Espírito Santo ilumina. Somos parecidos com o Pai porque criamos; parecidos com o Filho porque transformamos; parecidos com o Espírito Santo porque iluminamos. É justamente você, líder, que chega aos lares, entra e se mostra como imagem da Trindade, fortalecendo laços.
No alto da Cruz, quando a vida parecia dominada pelo escárnio, pelo desprezo perverso dos malvados e pela morte, Deus nos dá, na figura de uma mulher, uma mãe que cuida e protege os filhos deste mundo e nos conduz ao Filho, que nos leva ao Pai. O Pai tem o Reino dos céus para todos nós.
“Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo a quem amava, disse à mãe: ‘Mulher, eis o teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe!’ A partir daquela hora, o discípulo a acolheu em sua casa” (Jo 19,25-27). A mãe é acolhida pelo discípulo. A mãe acolhe os que aderem à mensagem do seu Filho. A figura da mulher-mãe expressa a missão dada por Deus de cuidar da vida e de todas as vidas, em todas as suas situações.
O líder e a líder da Pastoral da Criança têm a sensibilidade de Jesus, que vê sua mãe prestes a ser abandonada, esquecida, desprezada, e a entrega ao discípulo amado. Este a leva para sua casa. O olhar de compaixão aproxima, acolhe, cuida e estende a mão para encaminhar e proteger a vida. Quantas vezes gritamos, num susto: “Ave Maria!” ou “Nossa Senhora!” São gritos de filhos em apuros que encontram na mãe amorosa e poderosa a proteção invocada com confiança, esperança e fé.
A Celebração da Vida é mais uma ocasião para os líderes estimularem a comunhão fraterna junto às famílias e seus pequeninos, alimentando a beleza de se sentirem irmãs e irmãos uns dos outros. Como ensina Jesus, aqueles que fazem a vontade de seu Pai são sua mãe, sua irmã e seu irmão (cf. Mt 12,46-50).
Que neste mês missionário, mês do cuidado da criação, tenhamos a sensibilidade de Jesus e não deixemos nenhuma gestante, nenhuma mãe abandonada, sem casa, sem proteção, sem família, sem abrigo. A mulher forte, vigorosa no amor e na arte do cuidado, ajuda seus filhos a crescerem equilibrados, fortes, cheios de vitalidade e bem integrados à família e à sociedade. A Igreja, como mãe, se preocupa para que nenhuma criança venha ao mundo sem os devidos cuidados e sem ser envolvida pelo amor.
Eis a nobre missão que a Pastoral da Criança assumiu desde sua origem: cuidar para que nenhuma vida seja abandonada ou destruída pela falta de acolhimento e de amor generoso. Que cada líder leve para casa a sensação prazerosa de ter acolhido e cuidado de uma gestante e de uma criança, acompanhando-a pelo menos até seus seis aninhos de vida. Eis a tua mãe, eis a beleza da Pastoral da Criança. Viva o Dia das Crianças, sobretudo as mais frágeis, as menos cuidadas e as que passam fome.
Na ternura do cuidado e da proteção de uma criança, a criação toda se renova e a face da terra se encanta com o amor e a vivacidade da boa evangelização realizada pela Pastoral da Criança, que continua viva, atuante e necessária no mundo atual.
Nossa Senhora Aparecida, despertai novas lideranças e fortalecei a dinâmica da Pastoral da Criança com a materna proteção da Mãe de Jesus, pois eis aqui a Mãe de Jesus e nossa Mãezinha do Céu.
Nossa Senhora Aparecida, mãe encontrada na lama do rio Paraíba, acende milagrosamente velas e ilumina as famílias do Brasil.
Mãe Aparecida, abençoai os líderes e as líderes da Pastoral da Criança em todo o Brasil e despertai novas líderes e novos líderes para a missão do cuidado e da proteção, assim como o Filho de Deus, pouco antes de morrer no alto da Cruz, nos deu sua mãe para cuidar de nós. Mãe morena de Aparecida, protegei as gestantes, as famílias e as crianças de todo o Brasil.
Convidamos você a refletir sobre estas perguntas a partir da sua vivência como líder. Se possível, partilhe com outros líderes e veja como esses pontos podem iluminar suas visitas, a Celebração da Vida, o acompanhamento das famílias e a presença da Pastoral da Criança na comunidade.
1. Como tenho acolhido as gestantes e as mães que precisam de apoio?
O olhar de compaixão nos aproxima de quem está fragilizado. Pense em como suas visitas podem oferecer escuta, amparo e proteção, para que nenhuma gestante ou mãe se sinta abandonada.
2. O que posso fazer para fortalecer o cuidado com as crianças desde o ventre materno?
A gestação é a raiz do amor. Reflita sobre o acompanhamento das famílias, as orientações dos primeiros mil dias de vida e a Celebração da Vida como oportunidades de proteger e valorizar cada criança.
3. Como o exemplo de Maria inspira minha missão na Pastoral da Criança?
Maria acolhe e protege, e o discípulo amado a recebe em sua casa. Pense em como essa presença materna pode inspirar seus gestos de ternura, fortalecer os laços da comunidade e tornar visível o amor de Deus.