O nascimento de Jesus revela a ternura de Deus que se faz pequeno, simples e próximo. Ao nascer em uma manjedoura, sem lugar na hospedaria, o Menino Deus nos recorda que toda vida precisa ser acolhida, protegida e amada desde o primeiro instante. Inspirados por esse mistério, os líderes da Pastoral da Criança são chamados a estar perto das gestantes, das mães e das crianças, especialmente quando há medo, insegurança ou abandono, levando presença, cuidado e esperança para a vida que nasce.
4. O nascimento de Jesus
Que realidade desafiadora a de uma gestante que está para dar à luz e não tem lugar onde ficar! Desprezo, sensação de abandono total. Dá a impressão de que a vida não tem valor.
A nova vida é desprezada; exatamente a vida de quem veio ao mundo para dar dignidade e valor à vida. O autor da vida não tem lugar para nascer e defender a vida neste mundo. Que mundo pobre, triste, sem amor!
Líderes da Pastoral da Criança!
Eis a grande missão. Que, inspirados e inspiradas por Deus, vocês, ao saírem de suas casas, conhecendo as gestantes da comunidade e as famílias com crianças na primeira infância, façam como Maria quando foi saudada pelo anjo e foi visitar sua prima.
Visitem sem preocupação excessiva. Encontrem-se com as mães. Vejam em que situação se encontra essa pobre mãe que talvez, como Maria, não tenha onde nascer, proteger, alimentar e cuidar das crianças.
A Igreja, como mãe, deve, a partir da Pastoral da Criança, oferecer a digna habitação com tudo o que é necessário para uma vida se desenvolver com dignidade e amor.
“Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).
Por coincidência, a Campanha da Fraternidade deste ano de 2026 traz com insistência este lema. Vocês, líderes, fazem a experiência viva de estarem presentes nestes espaços que são a moradia do Deus Menino que encontram em suas visitas.
Vocês, com certeza, ao adentrarem nestes espaços, fazem o estremecimento da vida, dizendo: “Aqui estamos”; “este é o lugar da morada de Deus”.
Quando a Igreja se ocupa apenas com o funcional, com a estrutura e com o “sempre foi assim”, está longe da fonte inspiradora do Mestre de Nazaré, que veio dar dignidade à vida humana, a todas as vidas.
Sejam Maria, aquela que, antes do nascimento, já foi visitar Isabel e foi servir (Lc 1,39-56).
Uma visita antes do nascimento de uma criança dá condições para observar o que falta nessa casa: prevenir, instruir, alertar, precaver, sensibilizar-se. Eis a alma da líder da Pastoral da Criança.
A festa do Natal se repete no lar onde uma criança nasce, independentemente do dia, mês e ano. Todo nascimento é a festa natalina que se estende nos lares de milhares de famílias que recebem uma nova vida, feita à imagem e semelhança de Deus.
Na medida em que uma gestante é acompanhada por líderes, cria-se um vínculo de afeto entre a Pastoral da Criança e a família. Esse elo deve se estender à comunidade. Apresentar a criança na comunidade, lugar da comunhão com Deus e com as pessoas de fé, alimenta a esperança de salvação.
A nossa insistência deve estar na fase próxima de dar à luz à criança. A gestante que está para dar à luz vive momentos de intensa ansiedade, expectativa e insegurança.
Deve ser triste consumir a ansiedade sem ter ninguém para partilhar, sem sentir alguém próximo, sem contar com o apoio de alguém.
Neste momento, o líder não é mais uma pessoa estranha; ele é próximo, integrado e repleto de confiabilidade. Essas atitudes são fundamentais para oferecer segurança e proximidade.
Líderes, sejam fonte do amor que cuida e protege a vida tão frágil e repleta de amor!
Imaginemos o coração de Maria, sem ter lugar para o menino nascer. Quanta aflição, angústia, tremor!
Jesus nasceu nessa situação e seu ensinamento é para que ninguém neste mundo nasça em tamanha pobreza. Ele já sofreu por nós; agora é nossa missão, como cristãos, seguidores de Jesus, não permitir que nenhuma gestante sofra como Maria sofreu.
Como Pastoral da Criança, é nossa tarefa dialogar com as pastorais da comunidade paroquial e partilhar responsabilidades para que a criança, desde o nascimento, sinta o amparo da ternura de uma comunidade.
Não deixemos as mães abandonadas durante a primeira infância para depois impor orientações para os sacramentos, sem nos preocuparmos com a fase primeira da vida.
Líderes, continuem fazendo o que nos diz o e-Guia: “recebam a gestante com sua criança ao chegarem em casa, vindas do lugar onde estavam”.
Como é bonita aquela espera! Os líderes que acompanham a família da criança que nasceu ficam esperando, na porta da casa, com alegria, com festa: a festa da vida!
Já vimos muitas ações dessa natureza por aí afora. Líderes até arrumam a casa da nova mãe com todos os aparatos necessários à alegria de quem chega.
É Jesus, humanizado na forma de uma criança, que chega aos nossos olhos para que se cumpra a nossa missão: olhar, cuidar e encher de ternura o lar que acolhe uma nova vida humana.
Sabemos que a marca de nossa atividade é a interação e o respeito às diferenças, acreditando que não somos autossuficientes nem capazes de resolver tudo sozinhos.
Por isso, faz-se necessário:
Líderes!
Quais iniciativas podemos provocar para que essa criança seja visitada como os pastores, que correram apressadamente para ver uma criança que nasceu e foram agraciados com o canto dos anjos de Deus (Lc 2,13-14)?
Como os Reis Magos (Mt 2,1-12), que vieram de recantos do mundo trazendo presentes para essa criança recém-nascida?
Quanto mais a Pastoral da Criança for conhecida, lembrada e alertada, tanto mais a comunidade se envolve no cuidado e na recepção da nova vida, proporcionando a ela o calor da ternura da comunidade de fé.
São Francisco de Assis deu novo alento à vida nascente. Quis celebrar com muito afeto e amor o Natal do Senhor. Ele quis ver com os próprios olhos uma criancinha mexendo as mãozinhas e contemplar a ternura de Deus, que se humanizou para que nós, humanos, nos aproximemos de Deus.
O milagre do nascimento de uma criança é o sinal visível da existência de Deus agindo nesse lar. Mesmo que a fé seja miúda em certos lares, a vida acontece. A vida se faz presente, a vida nasce.
Cabe a nós ser presença de fé viva e atuante para que o lar seja aquecido pelos ensinamentos de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em plenitude” (Jo 10,10).
Dentre todas as pastorais da Igreja, a Pastoral da Criança, com certeza, é a mais emocionante, porque está presente na vida da gestante, acompanha a mulher que se prepara para o parto, acompanha a nova vida desde seus primeiros instantes existenciais e dá alegria e vivacidade à criança nos momentos da Celebração da Vida, incluindo os momentos de lazer, de brincar, de ocupar-se com essa criatura que tem o rosto de Deus.
Integrar as mães na comunidade, por meio da visita, da Celebração da Vida e das tarefas comuns da visitação, é o caminho para o fortalecimento da família na comunidade de fé.
A comunidade tem a missão de acolher e dar subsistência para que se crie ânimo, entusiasmo e gosto de pertença na vida em comunidade de fé.
Líderes, sem moralismos, mas cheios de ternura e espírito de acolhimento, sigamos preenchendo os vazios existenciais em tantos lares onde há violência doméstica e toda forma de brutalidade que machuca, afasta e amedronta a vida dos preferidos de Deus.
Como o Papa Francisco tanto nos convocou: adentremos às periferias existenciais.
O nascimento de Jesus é o Evangelho do surgimento de uma nova vida. É uma estrela que ilumina a humanidade pela vida que nasce.
“O anjo então lhes disse: Não temais! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2,10-11).
A estrela guia continua guiando as famílias que trazem a este mundo uma nova vida. A vida é para o louvor e glória de Deus.
Somos instrumentos da alegria de Deus neste mundo.
Apoiar, visitar e acompanhar uma família com criança recém-nascida e na sua primeira infância fortalece o vínculo com Jesus, que nasceu pobre e foi visitado pelos pastores (Lc 2,8-13) e pelos Reis Magos (Mt 2,1-12).
Sejamos presença ativa e afetiva na Pastoral da Criança.
Sejamos protagonistas no cuidado e na defesa da vida que é gestada e trazida ao mundo com a luz da fé e da esperança.
Não deixemos nenhuma criança nascer sem lar, sem amor e sem dignidade.
Líderes!
Vocês são peritos e peritas nesta missão.
Veem, ouvem, sentem e dizem aquilo que está no seio de sua espiritualidade, que transforma vidas de maneira prática, consistente e capaz de alegrar os corações a ponto de ouvirmos: vejam como eles se amam!
Convidamos você a refletir sobre estas perguntas a partir da sua vivência como líder. Se possível, partilhe com outros líderes e veja como esses pontos podem iluminar suas visitas, o acompanhamento das gestantes e a presença da Pastoral da Criança na comunidade.
1. Conheço as gestantes que estão próximas de dar à luz e sei em que situação elas se encontram?
Visitar antes do nascimento ajuda a perceber necessidades, orientar, prevenir dificuldades e fortalecer vínculos com a família.
2. Minha comunidade tem se preparado para acolher a criança que nasce?
O nascimento de uma criança é uma festa da vida e deve envolver a família, os vizinhos, a comunidade de fé e as pastorais.
3. Tenho sido presença de ternura nos lares onde há medo, pobreza, insegurança ou abandono?
A Pastoral da Criança é chamada a ser sinal do amor de Deus, especialmente nas casas onde a vida precisa de mais proteção, dignidade e esperança.
4. O nascimento de cada criança ainda desperta em mim alegria, fé e compromisso com a vida?
Cada criança que nasce nos recorda o Menino Jesus e renova a missão de cuidar, defender e celebrar a vida.