ESPIRITUALIDADE E PARTILHA NA PASTORAL DA CRIANÇA
A Campanha da Luz Como Experiência da Fé e Solidariedade na Comunidade
A Pastoral da Criança vive da generosidade de pessoas que contribuem de várias maneiras para o cumprimento de sua missão: “para que todas as crianças tenham vida em abundância” (Jo 10,10). Essa colaboração brota da consciência cristã que educa para a responsabilidade com os pobres como prática da fé que, sem obras, é morta (Tg 2,17). A Campanha da Luz é uma destas estratégias de captação de recursos, através da fatura de energia elétrica, para o fortalecimento das ações comunitárias em prol do desenvolvimento infantil.
Entretanto, para além de uma importante contribuição mensal através da fatura de energia elétrica, encontramos um valor maior que o financeiro. Mobilizar a solidariedade é antes de tudo ação evangelizadora, pois não se resume apenas em arrecadar fundos, mas em incentivar a partilha. Quando a cultura da doação é assumida não apenas como um momento, mas como um modo de ser da comunidade, a felicidade Divina se faz presente na vida das pessoas pois “O Senhor não sabe dar menos do que tudo. Quando Ele doa algo Ele doa a si mesmo, que é tudo” (Papa Francisco).
Uma criança que nasce/cresce em um ambiente solidário tende a desenvolver o compromisso com as mais necessitadas. Por isso, cabe a nós estimular a perseverança das famílias na sustentabilidade da Pastoral da Criança que, colocando seus bens em comum, ajudam a comunidade a converter-se pelo cuidado com a infância, tendo condições de manter ações que fazem o diferencial na vida destes pequeninos.
A motivação “acenda essa luz em seu coração com a sua doação” revela uma campanha que não nasce do bolso, mas do interior de cada pessoa. Sensibilizar não é apenas convencer, mas cativar. O vínculo estabelecido com quem doa não é apenas comunicação, mas comunhão fraterna. Por isso, muito mais que comercial, a relação deve ser pastoral, porque temos um ponto de partida que nasce na missão e na espiritualidade.
Sustentabilidade não apenas rima com espiritualidade, mas tem sufixo comum que expressa a ideia de estado, situação ou quantidade. Por isso, mística e doação estão intrinsecamente ligados pois, assim como precisamos sustentar nosso espírito, também o Espírito sustenta a caminhada. “Se alguém possui os bens deste mundo e, vendo o seu irmão em necessidade, fecha-lhe o coração, como pode o amor de Deus permanecer nele? Filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas com obras e de verdade” (1 Jo 3,17-18).
No milagre da multiplicação, Jesus ensina que a caridade não é algo individualista, mas responsabilidade comunitária. A orientação “vocês é que têm de lhes dar de comer” (Lc 9,13) revela que a “captação de recursos” também é um compromisso no discipulado. Ele não orientou a busca de um “patrocínio” externo, mas animou a solidariedade comunitária que testemunhou o contraste: multiplicar é dividir. Saciar a fome de pão e peixe pressupõe saciar a partilha entre as pessoas.